Velho ranzinza

— História verídica —

Quando um velho homem morreu na enfermaria de geriatria de um lar de idosos numa cidade do interior da Austrália, acreditava-se que ele não tinha mais nada de qualquer valor. Até que encontraram o seguinte poema escrito por ele.

O que vocês veem enfermeiros? O que vocês veem? O que vocês estão pensando quando estão olhando para mim? Um homem casmurro, não muito sábio, incerto de hábito, de olhos distantes? Quem goteja sua comida e não faz qualquer comentário. Quando você diz em voz alta: “Eu gostaria que você tentasse!” Quem parece não perceber as coisas que você faz. E sempre está perdendo uma meia ou sapato? Quem, resistindo ou não… lhe permite fazer como quiser, com o banho e a alimentação, o dia inteiro para preencher? É nisso que você está pensando? É isso o que você vê? Então abra seus olhos, enfermeiro! você não está olhando para mim.

Vou lhe contar quem eu sou, como continuo, ainda, sentado aqui, conforme posso fazer ao seu comando, como comer à sua vontade.
Eu sou uma pequena criança de dez anos com um pai e uma mãe, irmãos e irmãs que se amam.
Um rapaz de dezesseis com asas nos pés, sonhando que breve uma amante ele vai encontrar.

Um noivo logo aos vinte, meu coração dá um salto. Lembrando os votos que eu prometi manter.
Aos vinte e cinco, agora tenho minha própria juventude. Quem precisa de mim para guiar e um lar seguro feliz.

Um homem de trinta minha juventude agora cresceu rápido, ligados um ao outro com os laços que devem durar.
Aos quarenta, meus filhos pequenos cresceram e se foram, mas a minha mulher está ao meu lado para ver que eu não lamento.

Aos cinquenta anos, mais uma vez, bebês brincam no meu joelho, mais uma vez, conhecemos as crianças, minha única amada e eu.
Dias sombrios estão sobre mim a minha mulher agora está morta. Eu olho para o futuro tremo de pavor, pois meus jovens estão todos criados da sua própria juventude.
E eu penso nos anos e no amor que eu conheci. Eu sou agora um velho homem e a natureza é cruel. É piada para fazer a velhice parecer uma tolice. O corpo, ele se desintegra. Graça e vigor, partem.

Existe agora uma pedra onde uma vez eu tive um coração, mas dentro desta velha carcaça um jovem ainda habita, e agora e de novo, meu maltratado coração incha.
Lembro as alegrias, eu me lembro da dor. E eu estou amando e vivendo a vida outra vez.
Eu acho que os anos, muito poucos foram embora muito rápido.
E aceitar o fato gritante que nada pode durar.

Então abram seus olhos, pessoas! Abram e vejam!
Não um homem casmurro. Olhe mais perto… veja… A MIM!”

Sempre que conversar com um idoso, lembre-se que ele também foi jovem e que agora ele está ali, precisando apenas de carinho, atenção, colo ou até ouvidos para ouvi-lo. Tenham mais delicadeza. E é claro que é impossível ler isso e não lembrar dos meus avós, eu os amo muito e espero que tenham delicadeza e gentileza ao falarem com eles!

Fonte: O Bosque de Berkana

As 12 leis do Karma

A GRANDE LEI
Colhemos o que plantamos. É a lei da causa e do efeito. O que quer que façamos no universo nos volta.

A lei da criação
A vida não apenas acontece, ela requer nossa participação. Estamos ligados ao Universo dentro e fora de nós mesmos. Tudo que nos cerca nos dá indícios de nosso estado interior. Temos que fazer em nós o que queremos em nossa Vida.

A lei da humildade
O que nos recusamos a aceitar, continua a existir em nós. O mundo espelha nossos traços.

A lei do crescimento
Onde formos, lá estaremos. Para crescermos no espírito, somos nós que devemos mudar, não as outras pessoas, ou lugares ou as coisas em torno de nós.

A lei da responsabilidade
Sempre que algo está errado, existe algo errado em nós. Nós espelhamos o que nos cerca e o que nos cerca se espelha em nós. Devemos fazer um exame da responsabilidade do que ocorre em nossa vida.

A lei da conexão
Mesmo que algo pareça desconectado, é importante entender que no Universo tudo está conectado. Cada etapa conduz a etapa seguinte e assim por diante. Passado, presente e futuro, todos estão conectados.

A lei do foco
Não podemos pensar duas coisas ao mesmo tempo. Quando nosso foco está em valores espirituais é impossível ter pensamentos baixos de mágoas ou de raiva.

A lei da doação
Se acreditamos que algo é verdade, seremos chamados para demonstrar essa verdade. É nesse momento que podemos colocar o que dizemos e aprendemos na prática.

A lei do aqui e agora
Quando olhamos para trás para examinar o que passou, ficamos impedidos de olhar para o aqui e agora. Pensamentos velhos, padrões antigos, sonhos velhos…tudo isso impede que tenhamos novos pensamentos, novos padrões e novos sonhos.

A lei da mudança
A história se repete até aprendermos as lições que necessitamos para mudar nosso trajeto.

A lei da paciência e da recompensa 
Todas as recompensas requerem trabalho inicial. Recompensas de valor duradouro requerem labuta paciente e persistente.

A lei do significado e da inspiração
O valor de algo é o resultado direto da energia e intenção colocada nela. Cada contribuição pessoal é também uma contribuição ao todo. A inspiração amorosa fornece uma contribuição ascendente e inspira o Todo.

Fonte: The Secret

As emoções e as doenças

Ao longo desses anos pude estar em contato com várias literaturas, umas de autoajuda, outras mais científicas. Vi em muitos casos que pessoas que possuíam certo padrão de sentimentos (pensamento) ou estavam dentro de alguma situação conflitante, acabavam por desenvolver doenças. Busquei saber mais em psicossomática, e autoras memoráveis com Louise Hay, com obras fantásticas sobre sentimentos e doenças.

Somos responsáveis por nossos corpo em por tudo que ocorre nele (em geral temos a ideia disso, mas não a certeza), nossos pensamentos, principalmente os mais negativos, como tristeza, raiva. medo, ódio, baixa auto-estima, desvalor próprio, rejeição, vontade de fugir (dentre outros), em geral originam um estado de falta de perdão, consigo ou o outro.

Esse estado desencadeia em nosso cérebro uma série de substâncias que acabam desestabilizando alguma parte do nosso corpo, gerando doenças, por vezes algumas bem graves.

O segredo para uma vida com melhor saúde é sempre, perdoar e saber que ninguém é perfeito, e valorizar-se muito, afinal se você não der valor a você, ninguém te valorizá-la. Ame seus defeitos, suas qualidades pensando sempre em melhorar seus pontos a desenvolver.

Cuidado com os sentimentos que vê que não são bons para você, perceba e veja o que pode mudar para não lhe fazer mal.

Segue uma lista com algumas doenças e os sentimentos que as desencadeiam:

Amigdalite : Emoções reprimidas, criatividade sufocada;
Anorexia: Ódio ao extremo de si mesmo;
Apendicite: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom;
Arteriosclerose: Resistência. Recusa em ver o bem;
Asma: Sentimento contido, choro reprimido;
Bronquite: Ambiente familiar “inflamado”, Gritos e discussões;
Câncer: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo;
Colesterol: medo de aceitar alegria;
Derrame: Resistência. Rejeição a vida;
Diabetes: Tristeza profunda ( vida sem doçura);
Diarreia: Medo, rejeição, fuga (eliminar de dentro o que está ruim);
Dor de cabeça: Autocrítica, falta de auto valorização;
Enxaqueca: Medos sexuais. Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista;
Fibromas: Alimentar mágoas causadas pelo parceiro;
Frigidez: Medo. Negação do prazer;
Gastrite: Incerteza profunda. Sensação de condenação, idéias mal digeridas;
Hemorróidas: Medo de prazos determinados. Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista;
Hepatite: Raiva, ódio. Resistência a mudanças;
Insônia: Medo, culpa;
Labirintite: Medo de não estar no controle;
Meningite: Tumulto interior. Falta de apoio;
Nódulo: Ressentimento, frustração. Ego ferido;
Pele (acne): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo;
Pneumonia: Desespero. Cansaço da vida;
Pressão Alta: Problema emocionalmente duradouro e não resolvido;
Prisão de Ventre: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro suficiente;
Pulmões: Medo de absorver a vida;
Quistos: Alimentar mágoa. Falsa evolução;
Resfriados: Confusão mental, desordem, mágoas;
Reumatismo: Sentir-se vítima. Falta de amor. Amargura;
Rinite Alérgica: Congestão emocional. Culpa. Crença em perseguição;
Rins: Crítica, desapontamento, fracasso;
Ronco: Teimosia, apego ao passado;
Sinusite: Irritação com pessoas próximas;
Tireoide: Humilhação;
Úlceras: Medo. Crença de não ser bom o bastante;
Varizes: Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado.

Interessante? Atenção com seus sentimentos, principalmente o que esconde dentro de você mesmo. Boa sorte sempre!

Fonte: KarinPsicologia

Neurocientista de Harvard: Meditação não apenas reduz o estresse, ela altera fisicamente seu cérebro

Via Washington Post

Sara Lazar, neurocientista do Massachusetts General Hospital e Harvard Medical School, foi uma das primeiras cientistas a analisar os efeitos da meditação no cérebro. O que ela encontrou a surpreendeu – que a meditação pode literalmente mudar seu cérebro. Ela explica:

Q: Por que você começou a pesquisar sobre meditação e os efeitos da prática no cérebro?

Lazar: Um amigo e eu estávamos treinando para a maratona de Boston. Eu tive algumas lesões na corrida, então fui a um fisioterapeuta que me disse para parar de correr e começar a me alongar. Então eu comecei a praticar yoga como uma forma de terapia física. Eu comecei a perceber que era algo muito poderoso, que tinha benefícios reais, então fiquei interessada em saber como aquilo funcionava.

O professor de yoga fez todos os tipos de alegações, que a ioga iria aumentar sua compaixão e abrir seu coração. E eu pensava: ‘Yeah, yeah, yeah, eu estou aqui para alongar.” Mas eu comecei a perceber que eu estava mais calma. Eu era mais capaz de lidar com situações mais difíceis. Eu estava mais compassiva e de coração aberto, e capaz de ver as coisas do ponto de vista dos outros.

Eu pensei, talvez fosse apenas efeito placebo. Mas então eu fiz uma pesquisa bibliográfica da ciência e vi evidências de que a meditação estava sendo associada com diminuição do estresse, diminuição da depressão, ansiedade, dor e insônia, e um aumento da qualidade de vida.

Nesse ponto, eu estava fazendo meu PhD em biologia molecular. Então, eu mudei e comecei a fazer esta pesquisa como um pós-doutorado.

Q: Como você fez a pesquisa?

Lazar: O primeiro estudo analisou os meditadores experientes versus um grupo de controle. Descobrimos que os meditadores experientes têm uma maior quantidade de matéria cinzenta na ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo, e sensorial. O que faz sentido. Quando você está consciente, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, à experiência do momento presente, e reduzindo a cognição, seus sentidos ficam mais aguçados.

Também descobrimos que tinham mais matéria cinzenta no córtex frontal, que está associada com memória de trabalho e tomada de decisões executivas.

É bem documentado que nosso córtex encolhe à medida que envelhecemos – é mais difícil de entender as coisas e lembrar coisas. Mas nesta região do córtex pré-frontal, meditadores com 50 anos de idade apresentaram a mesma quantidade de matéria cinzenta de jovens de 25 anos.

Pegamos pessoas que nunca tinham meditado antes, e as colocamos em um grupo de um programa de redução de estresse baseada em práticas meditativas de atenção plena com duração de 8 semanas.

Meditadores experientes x Iniciantes

Q: O que descobriram?

Lazar: Encontramos diferenças no volume cerebral após oito semanas em cinco regiões diferentes nos cérebros nos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos espessamento em quatro regiões:

1. A diferença principal, encontramos no cingulado posterior, que está envolvido em divagações mentais, e auto relevância.

2. O hipocampo esquerdo, que auxilia na aprendizagem, cognição, memória e regulação emocional.

3. A junção temporo-parietal, ou TPJ, que está associado com a tomada de perspectiva, empatia e compaixão.

4. Uma área da haste do cérebro chamada de Pons, onde uma grande quantidade de neurotransmissores reguladoras são produzidos.

A amígdala, a parte de lutar ou fugir do cérebro que é responsavel pela a ansiedade, medo e estresse em geral. Essa área diminuiu de tamanho no grupo que passou pelo programa de redução de estresse baseado em meditação de atenção plena.

A mudança na amígdala também se correlacionou com uma redução nos níveis de stress.

Q: Então, quanto tempo é que alguém tem que meditar antes de começar a ver mudanças em seu cérebro?

Lazar: Nossos dados mostram mudanças no cérebro após apenas oito semanas.

Em um programa de redução de estresse baseado na meditação de atenção plena, nossos participantes faziam uma aula semanal. Eles receberam uma gravação e foi dito para que praticassem por 40 minutos por dia em casa. E é isso.

Tara Brach conduz um grupo budista que pratica meditação vipassana

Q: Então, 40 minutos por dia?

Lazar: Bem, foi altamente variável no estudo. Algumas pessoas praticavam 40 minutos praticamente todos os dias. Algumas pessoas praticavam menos. Alguns apenas um par de vezes por semana.

Em meu estudo, a média foi de 27 minutos por dia. Ou cerca de meia hora por dia.

Q: Dado o que sabemos a partir da ciência, o que você incentiva os leitores a fazer?

Lazar: Meditação é como exercício. É uma forma de exercício mental, treino da mente, realmente. E assim como o exercício aumenta a saúde, ajuda-nos a lidar com o estresse melhor e promove a longevidade, meditação pretende conferir alguns desses mesmos benefícios.

Mas, cientificamente, ainda é cedo para tentar descobrir o que a prática pode ou não pode proporcionar.

Parece ser benéfico para a maior parte das pessoas. A coisa mais importante se você quer tentar, é: encontrar um bom professor. Porque é simples, mas também complexo. Você tem que entender o que está acontecendo em sua mente. Um bom professor é fundamental.

Q: Você medita? E você tem um professor?

Lazar: Sim e sim.

Q: Que diferença isso fez na sua vida?

Lazar: Eu venho praticando há 20 anos, por isso teve uma influência muito profunda em minha vida. É muito fundamental. Estresse foi reduzido, me ajuda a pensar com mais clareza. É ótimo para relações interpessoais. Eu tenho mais empatia e compaixão pelas pessoas.

Fonte: Buda Virtual

Razões pelas quais a meditação deve ser praticada nas escolas

“Se todas as crianças de oito anos aprenderem meditação,
nós eliminaremos a violência do mundo dentro de uma geração.”

— Dalai Lama

Imagine que a meditação se torne uma prática regular na vida escolar das crianças. Basta pensar o quão diferente o mundo seria se cada criança for capaz de conectar ao oceano de consciência que permeia tudo, o desejo de fazer mal ao outros iria ser significativamente menor, pois a meditação nos permite descobrir através da experiência, quem realmente somos.

O problema na sociedade hoje é que estamos constantemente correndo de nós mesmos, e consequentemente, da verdade. Estamos tão ocupados com a correria do dia a dia que nunca tomamos tempo para descobrir quem somos no âmago de nosso ser. A maioria de nós aprendemos a ser algo que não somos, a nos ajustar para se conformar e obedecer às normas sociais. Aprendemos a colocar uma máscara e sermos escravos de nosso próprio ego. E nos tornamos tão bons nisso que somente a ideia de tirar essa máscara já causa um desconforto desagradável. Então traímos a nós mesmos e deixamos nosso ego comandar, ficamos insensíveis ao mundo e todos os seres que nele vivem. Vendemos a nossa alma por uma ilusão de quem somos, e no fundo, uma parte nossa sabe que algo está muito errado.

E se desde cedo, parássemos de correr de nós mesmos? E se aprendermos a olhar pra dentro desde a tenra idade?

Se as escolas ensinarem a meditação, as crianças podem descobrir suas verdadeiras paixões, seus interesses e potencial criativo. Elas não seriam tão incomodadas, inseguras e aprenderiam a viver para o momento presente.

A meditação ajuda a compreender a vida, através dela, as crianças não seriam tão propensas ao estresse, preocupações e doenças. Elas também poderiam desenvolver laços mais fortes com todos os seres e teriam menos necessidade de competir com seus semelhantes.

Muitos estudos clínicos têm demonstrado que a meditação desenvolve a capacidade do cérebro, e com isso, melhora o foco e a concentração. Além de fortalecer o sistema imunológico, protegendo o organismo contra doenças.

Como já foi mostrado aqui, estudos desenvolvidos pela Universidade da Califórnia revelaram que a prática da meditação aumenta o número de dobras no córtex cerebral e, com isso, melhora o processamento de informações e emoções. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Human Neuroscience.

Presume-se que quanto maior o número de dobras, melhor a capacidade do cérebro de processar informações, tomar decisões e formar memórias, além de aumentar o autocontrole. O córtex é a camada externa do cérebro e tem papel fundamental na memória, atenção, pensamento e consciência.

Uma outra pesquisa realizada pelo Instituto de Medicina e Prevenção Natural da Universidade de Maharishi, observou 201 pessoas com doença arterial coronariana (DAC) que se dividiram em um dois grupos: um programa de meditação transcendental e um programa de educação para a saúde. Depois de cinco anos de observação, o grupo que praticou meditação mostrou uma redução de risco de 48% de sofrer um acidente vascular cerebral.

O Departamento de Psiquiatria da Universidade Emory também chegou à uma conclusão semelhante em um estudo sobre o impacto da meditação no cérebro. Pesquisadores compararam a massa cinzenta no cérebro de praticantes Zen e não praticantes durante um longo período de tempo. Embora a massa cinzenta diminua normalmente com a idade, no caso dos praticantes Zen não houve nenhuma redução.

Felizmente a meditação nas escolas já é uma realidade e está acontecendo inclusive aqui no Brasil. Há um ano, as notas dos alunos do Centro de Apoio O Visconde, no Real Parque (zona oeste de São Paulo) melhoraram por causa da introdução de yoga e meditação.

Antes das aulas de português e matemática, 134 alunos fazem um conjunto de exercícios físicos e de respiração e praticam 20 minutos de meditação (fecham os olhos e mentalizam palavras ou sons).

A Sociedade Internacional de Meditação é a favor da incorporação da prática na rotina das escolas.

Basta imaginar o quanto futuras gerações podem ganhar com esta prática regular, os benefícios são extraordinários. É realmente importante implementar a meditação nas escolas, se vamos aprender a viver pacificamente uns com os outros, precisamos primeiro descobrir que a paz se encontra dentro de nós.

(Texto de Will Stanton | Via Despertar Coletivo – tradução e adaptação)

Experiência radical

Nunca é demais lembrar que os propósitos do Yoga vão bem além do corpo, mas mesmo que se tratasse de um conjunto de técnicas com objetivos meramente físicos, já se distinguiriam por uma perspectiva singular. Os exercícios físicos convencionais são normalmente focados nas estruturas mais superficiais e visíveis do corpo, dando pouca ou nenhuma ênfase às estruturas mais profundas e menos visíveis. Assim, é comum vermos as pessoas em academias de ginástica condicionando seus músculos peitorais, abdominais, glúteos, quadríceps, bíceps e tríceps, dentre outros, e isso é positivo, porém seriam estes os músculos mais importantes do corpo? Estão eles associados às funções mais vitais? A resposta é não. Obviamente músculos como os abdominais são de grande importância, com ações posturais, respiratórias e protetoras, mas a importância do diafragma para a respiração é primordial, bem como a dos paravertebrais profundos (músculos mais intimamente conectados à coluna) para a postura. Do mesmo modo, muitos outros músculos que auxiliam ou mesmo determinam importantes funções são raramente exercitados de maneira sistemática, tais como os grupos musculares orofaringeanos (músculos da boca e da garganta), oculomotores (músculos que movimentam os olhos) e do assoalho pélvico (músculos que delimitam inferiormente o quadril).

A despeito da importância de todas essas estruturas, é inimaginável ver alguém numa sessão de ginástica fazendo uma série para fortalecer o diafragma (o mais importante músculo esquelético do corpo), bem como os demais músculos mencionados. Porém é interessante notar que há técnicas de Yoga para fortalecer, alongar ou simplesmente obter maior domínio sobre a ação de cada uma dessas partes: técnicas como o agnisara (estímulo do fogo digestivo) e o uddiyana bandha (trava ascendente), respectivamente, fortalecem e alongam o diafragma; as posturas meditativas associadas ao shaktichalanamudra (selo do movimento de Shakti) condicionam os paravertebrais profundos; o simhasana (postura do leão) e o jihva bandha (trava da língua) condicionam os músculos orofaringeanos; os drishtis e o trataka (fixações do olhar) condicionam os músculos oculares e, enfim, o mula bandha (selo da raiz) e o ashvini mudra (selo do cavalo do amanhecer) condicionam o assoalho pélvico, que é o enfoque deste artigo.

A compreensão da biomecânica do mula bandha e do ashvini mudra requer o conhecimento da anatomia do assoalho pélvico. Este é composto por um conjunto de músculos de fundamental importância, associados prioritariamente à micção, defecação e funções reprodutivas. Todos esses músculos são ativos nas técnicas do mula bandha e ashvini mudra, e se dividem em dois grupos sobrepostos como duas camadas.

A camada mais profunda é chamada de diafragma da pelve e inclui:

✦ músculo elevador do ânus, com seus feixes puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo. Este conjunto eleva e retrai o ânus fazendo-o resistir à pressão que vem do interior do corpo, tal como nas situações em que precisamos conter a defecação. Convém destacar o feixe pubococcígeo, que atravessa todo o assoalho pélvico da frente para trás, envolvendo e mobilizando o ânus, bem como o cóccix e as estruturas eréteis (pênis nos homens e clitóris nas mulheres). O feixe puborretal origina-se no púbis (parte anterior do quadril) e envolve a região do ânus e reto, em parte formando o esfíncter anal externo, que é de contração voluntária.

✦ coccígeo, ligando os ísquios (porções inferiores do quadril) ao cóccix (posterior), anterioriza este último.

A camada mais superficial e anterior é o períneo, e inclui:

✦ músculos transversos profundo e superficial do períneo, que ligam os dois ísquios e portanto atravessam o assoalho pélvico de um lado ao outro. Sua contração aproxima os ísquios, além de comprimir os óstios da uretra e, no caso das mulheres, da vagina.

A execução do mula bandha consiste em contrair isometricamente este conjunto de músculos, ou seja, sustenta-se a contração muscular estática por algum tempo. A técnica está descrita nos principais textos de Hatha Yoga [Hatha Pradipika (HP), Gheranda Samhita (GhS) e Goraksha Shataka (GoS)]. No HP III-60 refere-se que: “pressionando o períneo com o calcanhar elevando o apana, deve-se contrair o ânus”. Essa descrição é muito semelhante à do GoS 37. No GhS III-12 e 13, a descrição é mais detalhada: “pressionar a região perineal (termo científico atual que traduz parcialmente o termo original empregado) com o calcanhar do pé esquerdo e contrair o ânus. Em seguida, pressionar o umbigo contra a coluna com força, colocar o tornozelo direito cuidadosamente no órgão genital. Este mudra, chamado mula bandha, previne o envelhecimento”.

Tomando-se como base o GhS, devemos lembrar que se recomenda um asana específi co para a execução do mula bandha e, neste caso, trata-se do siddhasana (postura do perfeito), reputada nos textos clássicos como a mais importante postura de Yoga ao lado do padmasana (postura de lótus). Note que no siddhasana já é feita uma compressão extrínseca do assoalho pélvico pelo calcanhar e aesta se soma uma compressão intrínseca, pela ação de todos os músculos anteriormente relacionados. Assim, neste momento gera-se uma força ascendente, com a retração do assoalho pélvico, o fechamento de orifícios como o ânus, a uretra e a vagina, e a aproximação de extremidades ósseas como os ísquios, cóccix e púbis. Essa força ascendente é descrita na linguagem tradicional como reversão do apana, que é a energia regente dos processos de eliminação e, por isso mesmo, predominante nessa região.

Como se não bastasse, há ainda outro detalhe mencionado, que é a contração do abdome, o que leva a um aumento da pressão intra-abdominal e, somando-se isso à contração do assoalho pélvico, potencializa-se a sensação de uma força ascendente, que pode ser percebida como algo se irradiando para cima ao longo da coluna lombar. No HP III-64 descreve-se este fenômeno como união de prana e apana (forças regentes dos processos de absorção e eliminação). Em nossa linguagem fisiológica clássica, podemos mencionar esses eventos como sensações interoceptivas e proprioceptivas (do próprio corpo) decorrentes de variações de pressão, estímulos circulatórios e sensibilização associados à concentração na região abdomino-pélvica.

O GhS III-64 vai além, sendo o único destes livros a descrever outra técnica com ênfase nessa mesma região: o ashvini mudra (selo do cavalo do amanhecer). A descrição é muito simples, dando margem a distintas interpretações ou formas de execução: “contrair e abrir a abertura anal repetidamente é ashvini mudra, que desperta Shakti”. Note que esses movimentos de abertura e retração alternada do ânus e adjacências são exatamente equivalentes aos movimentos que os equinos fazem ao defecar, daí provavelmente o nome da técnica. Segundo alguns especialistas, a diferença entre esta prática e a do mula bandha está no fato de que aquela é uma contração estática, enquanto esta é intermitente, intercalada com momentos de relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.

Aqui, contudo, pode ser levantada uma importante questão de ordem prática: a abertura do ânus neste caso ocorre somente de modo passivo, pelo relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, ou ocorre de modo ativo, pela geração de uma força descendente atuando sobre esta região? No primeiro caso, a execução é mais simples, bastando contrair e relaxar alternadamente o mesmo grupo muscular pélvico, mas no segundo caso torna-se necessária a ação de outros músculos que intensificam a abertura do ânus e dos demais orifícios da região pélvica. Para tanto, devem ser acionados conjuntamente os músculos abdominais e o diafragma. Quando este último se contrai, abaixa e comprime os órgãos abdominais contra as paredes do abdome, o que poderia expandi-las. Porém, se os próprios músculos que formam essas paredes também se contraem, gera-se uma força descendente que “empurra” o assoalho pélvico para fora, caracterizando melhor o movimento dos equinos. Neste caso, o ashvini mudra é mais completo que o mula bandha em sua técnica de execução e em seus efeitos fisiológicos, somando os efeitos da contração aos do alongamento muscular do assoalho pélvico.

Em conjunto, essas duas técnicas melhoram a circulação sanguínea na região, aumentam o tônus muscular e a sensibilidade. Essas práticas oriundas da Índia tornaram-se conhecidas em outros núcleos culturais orientais, sendo aperfeiçoadas na Tailândia e no Japão e, enfim, chegando ao Ocidente já com inovações, tais como o uso de equipamentos específicos, sendo hoje reconhecidas como pompoarismo. Investigações científicas levaram a conclusões importantes sobre aplicações terapêuticas e preventivas dessas práticas. Na década de 1950 o ginecologista Arnold Kegel constatou que a fraqueza do feixe pubococcígeo estava associada a casos de incontinência urinária em mulheres e aperfeiçoou essas técnicas originais criando um método de condicionamento muscular desta região. Foi constatado paralelamente que esses exercícios também melhoravam as funções reprodutivas, principalmente com intensificação dos orgasmos e maiores níveis de excitação, além de serem excelentes preventivos contra prolapsos genitais pós-parto e impotência masculina.

Hoje é notório que mulheres treinadas na arte do pompoarismo são capazes de intensificar seu prazer e o de seus parceiros e isso por si só já vale a pena, mas não devemos perder de vista que os objetivos originais dessas técnicas no Yoga são espirituais: a menção de união do prana com apana como efeito do mula bandha (HP III-63 e 64) significa transcender a dualidade chegando-se a uma experiência de Unidade, sendo também este o significado do despertar da Shakti (ou kundalini), mencionado no GhS III-64 como efeito do ashvini mudra. É preciso apenas lembrar que essas técnicas isoladas e descontextualizadas não levarão ninguém a tais experiências elevadas, mas trabalhar a partir da nossa raiz (mula em sânscrito, radis em latim) é essencial para dirigir todo o processo, ou seja, é necessária uma experiência radical no sentido literal do termo.

Gerson D’Addio (ge.daddio@ig.com.br) é educador físico especializado em anatomia e fisiologia, mestre em ciências e professor de Yoga que leciona em São Paulo para grupos convencionais e especiais.

Fonte: Yoga Journal